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O que é um projeto arquitetônico em BIM — e por que isso importa para quem vai construir

Foto do escritor: STUDIO WOKA
STUDIO WOKA
14 de abr.
5 min de leitura

Atualizado: 15 de abr.

BIM x CAD: a diferença que poucos clientes conhecem, e que pode determinar o que acontece na sua obra.


Existe uma pergunta que raramente aparece nas primeiras reuniões com um escritório de arquitetura, mas que talvez devesse ser a primeira de todas: de que forma você projeta?

Não qual o estilo. Não quantos projetos já fez. A pergunta mais reveladora sobre a capacidade técnica de um escritório não é estética, é metodológica. E a resposta, hoje, divide o mercado em dois grupos com resultados muito distintos.

 


A diferença que não aparece nas imagens


Durante décadas, o instrumento padrão do projeto arquitetônico foi o CAD, sigla em inglês para Computer Aided Design, ou simplesmente, desenho assistido por computador. Uma evolução necessária em relação à prancheta física, o CAD permitiu que arquitetos produzissem plantas, cortes e fachadas com precisão e velocidade antes impossíveis. Mas é essencialmente isso: um software de desenho. Cada elemento que aparece na tela é uma linha, um símbolo, uma representação bidimensional de algo que o arquiteto tem na cabeça mas que o software não entende.

O BIM (Building Information Modeling), ou Modelagem da Informação da Construção, parte de uma lógica completamente diferente. Em vez de produzir um conjunto de desenhos independentes, o arquiteto constrói um modelo tridimensional inteligente da edificação. Cada parede tem espessura, material e altura. Cada janela tem tipo, dimensão e especificação. Cada laje tem estrutura, carga e peso. O modelo sabe o que é, e essa consciência muda tudo.

A diferença não está na imagem que o cliente vê na apresentação. Está no que acontece antes e depois dela.


Mas afinal o que muda, na prática, para o cliente?


  • Compatibilização automática: o projeto que se corrige antes da obra

No processo CAD, um arquiteto produz as plantas de arquitetura. O engenheiro hidráulico desenvolve seu projeto em um arquivo separado. O elétrico, em outro. O estrutural, em outro. Cada profissional trabalha sobre suas próprias folhas, e a compatibilização (o processo de verificar se esses projetos se encaixam sem conflitos na execução) é feita manualmente, na comparação entre desenhos sobrepostos.

É nesse processo onde nascem os problemas mais custosos de uma obra: a coluna que passa no lugar da janela. O shaft que corta uma viga. O ponto hidráulico que não chega até o equipamento. Ajustes que, se descobertos no papel, custam horas de revisão. Descobertos na obra, custam dinheiro, tempo e estresse.

No BIM, todos os projetos habitam o mesmo modelo. Os conflitos são detectados automaticamente pois no software a interferência é percebida antes que qualquer material seja comprado. O cliente não resolve na obra o que o projeto deveria ter resolvido no escritório.


  • Orçamento mais preciso: menos surpresas financeiras

Um dos motivos mais comuns para o estouro de orçamento em obras residenciais é a imprecisão no quantitativo de materiais. Quando o projeto é desenvolvido por linhas e símbolos, o levantamento de materiais é manual e, por mais criterioso que seja o profissional, está sujeito a omissões e erros de cálculo.

No BIM, o modelo contém a informação. A área de revestimento de um banheiro não precisa ser calculada manualmente: o software extrai diretamente do modelo o quantitativo preciso de cada superfície, cada peça, cada metro cúbico de concreto. O orçamento que o cliente recebe não é uma estimativa gerada sobre papéis, mas sim uma extração do próprio projeto.


  • Projeto executivo com mais profundidade

A etapa final de projeto chamada de Projeto Executivo (aquele que vai para a obra para ser executado) exige o maior nível de detalhamento. No BIM, cortes, detalhes construtivos e vistas específicas são gerados a partir do mesmo modelo: se algo é alterado em planta, o corte se atualiza automaticamente. O resultado é uma documentação mais coesa, com menos ambiguidade para os construtores e menos espaço para interpretação incorreta em canteiro.


  • Visualização real, não idealizada

Imagens bonitas podem ser produzidos com qualquer ferramenta. A diferença do BIM está na fidelidade entre o que o cliente aprova e o que é construído. Como o modelo é tridimensional e contém todos os elementos do projeto, a visualização nasce diretamente da arquitetura real, não de uma representação aproximada. O que o cliente vê na apresentação é, com altíssima precisão, o que vai existir na obra.

 

Onde o Brasil está nesse cenário?

A adoção do BIM no mercado brasileiro ainda está em construção. De acordo com a Sondagem da Construção do FGV IBRE, realizada em março de 2024, apenas 20,6% das empresas de construção no país utilizam BIM em alguma etapa do processo, número que, embora represente avanço significativo em relação aos 9,2% registrados em 2018, ainda evidencia que a grande maioria do mercado opera sem a tecnologia.

No segmento residencial, o cenário é ligeiramente mais favorável: entre as empresas de edificações residenciais, o percentual chega a 27,2%. Mas isso inclui construtoras, incorporadoras e escritórios de todos os portes (os dados não distingue quem usa BIM como ferramenta plena de quem utiliza apenas modelagem 3D básica, sem explorar a inteligência da informação)

O movimento é global e irreversível. No plano legal, o governo brasileiro sinalizou a mesma direção: a Nova Lei de Licitações (Lei nº 14.333) menciona o uso preferencial do BIM em licitações de obras e serviços de arquitetura e engenharia.

O BIM não é tendência. É transição em curso, e os clientes que hoje contratam projetos residenciais de alto padrão já começam a entender que a diferença entre escritórios não é apenas estética.

 

O que isso muda na hora de escolher um escritório

Quando duas propostas chegam à mesa com imagens igualmente bonitas, a pergunta que separa projetos de alto padrão de projetos comuns é: o que está por trás dessas imagens?

BIM não é milagre. BIM é método. E método reduz ruído.

A primeira é a visualização de um projeto compatibilizado, quantificado e tecnicamente coeso. A segunda é uma imagem elaborada sobre uma documentação que ainda tem lacunas a resolver.

"A obra vai encontrar as lacunas. Sempre."

O cliente que entende essa distinção não está apenas avaliando estilo arquitetônico. Está avaliando o nível de controle que o escritório exerce sobre o projeto e, por consequência, sobre a obra que vai resultar dele.


Como o STUDIO WOKA trabalha?


No STUDIO WOKA, o BIM não é uma opção ou um diferencial a ser contratado. É a estrutura sobre a qual todos os projetos são desenvolvidos, do Estudo Preliminar ao Projeto Executivo. Cada decisão projetual é tomada dentro do modelo, cada compatibilização é feita antes da obra e cada quantitativo apresentado ao cliente nasce da informação do próprio projeto.

Entendemos que a qualidade de um projeto não se mede apenas pela imagem que ele produz, ou pelo bom gosto nas escolhas estéticas, mas sim pela inteligência que ele carrega. E que o cliente que investe em uma casa de alto padrão merece um projeto à altura desse investimento: coeso, detalhado, previsível e construído com método e segurança.

 

Quer entender como o STUDIO WOKA desenvolve projetos com mais precisão, previsibilidade e clareza técnica? Baixe nosso guia gratuito "Do projeto à obra: o que um projeto bem feito pode evitar" — um material criado para quem está começando a planejar a construção da sua casa e quer tomar decisões mais informadas desde o início.


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